17/10/2011

Pozzobom tem uma decisão estratégica à espera






O sorridente Pozzobom tem uma decisão estratégica à espera
O tucano Jorge Pozzobom tem uma trajetória interessante. Instado por seu mentor, assim reconhecido por ele, Edison Dominguez, concorreu à Câmara, em 2000. Fez campanha criativa (“Não seja afoito, vote 1, 2, 3, 45678” – lembra?), mas insuficiente. Virou suplente. Assumiu algumas vezes, em lugar do titular, Júlio Brenner – então tucano, depois PSB, atual PMDB.
Na eleição seguinte, se consagrou. Fez votos mais que necessários para eleger-se vereador. E virar um dos pontas de lança da oposição contraValdeci Oliveira, no segundo mandato do petista. Resolveu, ninguém sabe se de caso pensado ou não, concorrer à Câmara dos Deputados. E cometeria o primeiro erro – e isso ele próprio admite. Se candidato fosse à Assembleia Legislativa, estaria eleito. E anteciparia seu protagonismo na política da comuna.
Poderia concorrer a prefeito em 2008. Muitos imaginaram a possibilidade. Ele próprio, escorado na votação para a deputação, propagou a ideia. Tudo para, na undécima hora, confirmar apoio à dobradinha Cezar Schirmer/José Farret. “Não queria ser acusado de dar a vitória ao PT”, foi a explicação posterior. Talvez devesse ter concorrido. E ainda assim o peemedebista chegaria à vitória. Não se sabe.
Em 2010, esteve a pique de cometer o segundo erro. Concorreria à Câmara dos Deputados outra vez. Até as pedras que teimam em correr pela rua Sete de Setembro da infância dele sabem que seria um fracasso rotundo. Foi salvo pelo acaso. Sabia, por cumprir acordos, que o cadafalso era inevitável. Até que José Farret surpreendeu e desistiu de brigar por vaga à Assembleia. Pronto: estava ali a saída. E a história é conhecida: em vez de soterrado pela disputa ao parlamento federal, uma vitória (apertada, sim, mas vitória) eleitoral que o tornou deputado estadual. E, de novo, protagonista.
Como será em 2012? Se, até aqui, os erros tiveram consequência pequena, e o acaso o salvou do desastre, nada indica que o “além” virá para salvá-lo. Jorge Pozzobom terá que decidir por conta própria. Concorre a prefeito, contra Schirmer e o candidato do PT, alavancando, na pior das hipóteses, uma nova candidatura vitoriosa à Assembleia e assumindo seu protagonismo? Ou mantém seu apoio (formal) ao candidato governista?
Há novas responsabilidades agora. E não são poucas. Uma delas, para exemplificar: está nele a chance de o PSDB adquirir status de partido importante no parlamento. Sabe que, não concorrendo a prefeito, só uma aliança muito improvável à Câmara de Vereadores com um dos partidos de ponta, fará com que a bancada, hoje solitária, possa avançar.
Resumo da ópera: neste momento, Jorge Pozzobom não tem o direito de errar. Isso significa que precisa concorrer? Não necessariamente. Inexiste fórmula exata na política. Ainda assim, o tucano terá que descobri-la. Sob pena de comprometer seu próprio futuro na dita cuja. Afinal, acasos, bem, são isso mesmo, acasos. E só.

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